quinta-feira, 29 de abril de 2010

Olhos azuis, cabelos louros

Talvez aqueles olhos que me fixaram o olhar não me quisessem dizer nada em concreto. Mas eu interpretei-os. E a mensagem foi verdadeiramente real e importante. A história é simples: a criança de olhos azuis e cabelos louros olhou-me fixamente e contou que quando me tinha ido buscar no Natal - altura em que eu não tinha transporte - teve medo do cão, o Nininho. Mas naquele dia, na Páscoa, não tinha medo, ao contrário. Queria por tudo levar o cão pela trela a passear pela rua.
Não passou de um episódio contado por uma criança que me olhou. Para ela, terá sido banal. Para mim, que desci ao fundo dos seus olhos, foi uma experiência nova. Desde que a fixei, não perdi o rasto ao azul dos seus olhos. Quando a olhei e mergulhei no seu mar e descobri a beleza da sua inocência de criança percebi uma das minhas missões terrenas: olhar fixamente nos olhos, sem desviar, para perceber exactamente o que eles me querem dizer. A mensagem pode ser complexa e indecifrável, mas os ganhos, mesmo assim, serão plenos.
Os olhos têm cor, profundidade, memória. Os olhos podem ser frios e quentes, aveludados ou lisos, profundos ou deslavados. Os olhos não dizem tudo, mas dizem muito. Reflectem o medo, a insegurança, a certeza, o amor, a raiva e não escondem nunca a felicidade. Nessas alturas brilham como as estrelas do céu e guiam os enamorados na noite escura. Repetem a vivacidade de quem os ostenta e são um sinal de morte quando se apagam, literalmente, ou só como reflexo da alma.

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