terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Pilhas Duracell

Para 2010, tive apenas um desejo que, para mim, significaria o ponto de partida para a realização de todos os outros. E confesso que, até hoje, já o consegui realizar. Claro que há dias em que tenho recaídas, mas faz tudo parte do processo de mudança. O desejo não é difícil de adivinhar: se virmos que durante imensos fins-de-semana dormi muito, por diversos motivos, em 2010 os meus sábados e domingos têm sido uma azáfama, tipo mãe de família. Na hora de mudar as fraldas e calar as crianças, leio ou vejo um filme. De resto tem sido igual. Faço as minhas obrigações domésticas e até algumas da minha amiga de casa. Eu detesto passar a ferro e, além de passar a minha roupa, propus-lhe passar a roupa que ela queria concessionar à instituição para a qual trabalha. Eu fiz-lhe um melhor preço e passei-lhe o vestuário de Inverno e Verão. Também lavei a garagem, uma tarefa que pertencia a todos os condóminos, mas que, por adiamentos sucessivos, ainda ninguém tinha tomado a dianteira. Eu, com baldes de água, fiz aquilo que as pessoas com mangueira não se predispuseram a fazer. Limpei a casa do meu pai num sábado, embora a tarefa tenha ficado a meio...
Na realidade, o que andei a fazer foi a gastar energia acumulada. Enquanto não conseguir abraçar desafios intelectuais (como escrever um livro)vou procurar despender energias físicas. E foi, de facto, isso que eu pedi para este ano: energia para trabalhar e para viver com outra intensidade.
Às custas desta nova filosofia e vontade de aproveitar a vida, fiz algo impensável para mim: entrar em patins numa pista de gelo. Já o fiz duas vezes e foi absolutamente divino. Claro que estive com a minha família, em que pais e filhos partilharam o mesmo espaço, com as meninas em clara vantagem em relação às mães e tias. Mas, com o tempo isto vai. Confesso que me senti radical, embora tenha ouvido comentários indecentes: "por esse andar ainda dá uma volta à pista"... "você tem que deslizar"...Isto naquela fase em que eu estava agarrada ao corrimão de tal forma que os braços ficaram com marcas vermelhas. Agora já consigo libertar-me do corrimão e, engraçado, o pontapé de saída para arriscar foi uma queda brutal. Rabo no chão, joelho esmurrado, cabeça atordoada. Só senti toda a gente a olhar para mim e a pensar que eu iria desistir. A professora perguntou-me se eu estava bem e, claro, que eu estava bem, era óbvio que sim...E percebi, para se chegar longe é preciso cair. A partir daí fui para o meio e deslizei um pouco. Foi uma sensação de libertação de todas as estúpidas amarras que me entorpecem a vida.
Sinto-me renovada, espero que este sol dure!
Obrigadão à minha família, foi muito divertido!

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