terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Da mestria de um cão e da minha irresponsabilidade

O dia estava lindo, o sol convidava a um passeio matinal pelo bosque. Fato de treino, sapatilhas, trela e cão. Percorremos o nosso trajecto normal até chegar à floresta. Como o canídeo começou a cheirar aqui e ali, decidi tirar-lhe a trela e deixá-lo a farejar. E fui à minha vida.
Sim, fui à minha vida. Numa atitude irresponsável, deixei o cão à sua sorte e passeei por onde quis. Desapareci. Quis ir descobrir os trilhos que sabia existirem por aquela zona, mas que nunca tinha explorado. Andei mais rápido que o normal, porque também ando numa de querer perder peso. Desci o monte e, para aproveitar o piso seco, aventurei-me por caminhos utilizados por amantes do BTT. De vez em quando, lembrava-me do cão e pensava que ele estaria a farejar, divertido, e que eu iria chegar ao local onde o deixara e ele estaria lá e viria a correr ao meu chamamento. Depois, surgiu-me aquele pensamento de que provavelmente podia não ser bem assim e eu estaria condenada por amigos e por mim própria para sempre, caso acontecesse alguma coisa. Um pouco contrariada, decidi voltar para trás. A minha aventura tinha de terminar. Fiz marcha atrás, à medida que andava, todas as probabilidades acossavam-me a mente. Sobretudo, que a minha amiga de casa, (que adora o cão) não me perdoaria.
As minhas preocupações agravaram-se quando cheguei ao local do "abandono". Era óbvio que o cão não estava lá e eu nem queria acreditar na minha ingenuidade. Chamei muitas vezes por ele, cheguei a confundi-lo ao longe com outro cão, também com uma cauda volumosa como ele, tal era o meu desespero. Como não estava por ali, tive de ganhar forças para ir à estrada ver se o via. Olhei para um lado e para o outro e fiquei aliviada porque, pelo menos, não estava esticado no asfalto, nem nas bermas. Caso estivesse, havia uma clínica veterinária perto, mas acho que as minhas pernas ficariam repentinemente sem forças para o levar lá. Pensei em ir a casa buscar uma vassoura para ir arredar as silvas do bosque numa tentativa louca de encontrar o "Nino". Eu estava consciente que ele podia desaparecer por alguns dias e voltar, que poderia desaparecer e nunca mais voltar, pensei em pôr um anúncio no meu jornal com uma foto dele e aguardar. Enquanto isso, teria de dar a notícia fatal à minha amiga de casa, o que seria um choque não tanto pelo desaparecimento do cão, mas sobretudo pela minha (i)responsabilidade no caso. Enquanto eu estava verde e rouxa ao mesmo tempo, com o sangue a latejar nas têmporas e o coração a palpitar, o "Nino" aguardava placidamente por mim à porta do prédio.
Estava no sítio certo. Ele estava contente, mas não tanto quanto eu. Abraçei-o e dei-lhe mais beijos como nunca tinha feito e percebi: eu abandonei-o, mas ele não me abandonou. Deu-me uma lição e ganhou uma amiga para sempre.

Obrigada, Nininho!

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