quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A estrada da vida

Para uns a estrada da vida é longa, para outros é curta, curtíssima. Muitas vezes penso que a minha estrada será longa, é uma presunção, com certeza. A ideia de que os males do mundo não me vão afectar tão cedo é mesmo uma vaidade pessoal, que vou alimentando. Por vezes, penso que tenho um anjo da guarda poderosíssimo que mete umas cunhas ao Menino Jesus para eu sobreviver a mais uma viagem de carro ou a mais uma caminhada a pé, às vezes à noite. Tenho aquela ideia que tenho de viver, porque devo ter algo importante a fazer na terra. Fernando Pessoa perguntou, certa vez: "Que homem de génio não é obcecado por um sentido de missão?".
Interessante esta frase. Não tenho a pretensão de ser uma pessoa de "génio", mas questiono-me quase diariamente sobre qual será a minha missão terrena. Todos nós a temos, todos sem excepção. Isso eu tenho a certeza. Agora, a minha qual é? Estou perto ou longe dela?
Como sou uma pessoa naturalmente desmotivada para os meus afazeres, sinto que o que faço não é a minha missão. Pode fazer parte dela, pode ser um possível caminho, mas não é "a obra", aquela que me vai trazer realização, aquela que vai ter utilidade social.
Não vejo com negatividade estas dúvidas. É como se estivesse a atravessar uma ponte movediça, pouco segura, que me deixa inquieta. No entanto, sei que, quando chegar ao outro lado, a resposta há-de lá estar, escondida talvez! Para a encontrar terei de trabalhar, interiormente provavelmente, mas trabalhar. Algo tão importante como o sentido da vida não me podia ser dado de mão beijada...embora por vezes sinta que as respostas às minhas questões estão à minha frente, era só prestar a devida atenção.
Também a respeito do sentido da vida, li certa vez a seguinte frase: "se não sabes o sentido da vida, começa a fazer coisas que façam sentido". A ideia é boa, a intenção é óptima, o pior é arregaçar as mangas e pôr mãos à obra.

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