domingo, 1 de novembro de 2009

Confissão

Recordo baixinho
Quase silenciosamente,
O calor do teu regaço de linho
Quando me embalavas candidamente

Envolta em teus braços,
Afagavas-me com carinho,
Beijavas-me pedaço a pedaço
Em teu regaço de linho

Anjos levaram teu corpo
Mas tua alma ficou estendida
Na memória adormecida
Deste ser quase morto

Porém, agora acordado,
Me recordo muito bem
Do regaço de linho bordado
Do teu colo, minha mãe

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Dez anos depois, a vida ainda é insípida, incolor e inodora. Ainda me arrasto, na penumbra dos dias e na vigília das noites,procurando na lembrança o som da tua voz, o calor do teu abraço e o sabor dos momentos partilhados. Eu era feliz e não o sabia. A tua ausência obrigou-me a encarar uma nova realidade e a perceber que ainda era mais frágil do que pensava. O pilar quebrou, busquei forças interiores e deparei-me com o vazio. O nada por dentro, o pouco por fora. Os ombros amigos não foram suficientes para me segurarem. Culpa minha, sei-o agora. Não soube alimentar amizades, daquelas que valem a pena.
Hoje estou a começar a construir as minhas próprias estruturas de apoio, mas precisei de amigos verdadeiros para chegar a este patamar. Felizmente, eles apareceram na minha vida. Estou muito grata por isso e posso dizer que hoje sou a síntese entre aquilo que os meus amigos me ensinaram e o crescimento que resultou da dor de uma perda. Louca, senil, obcecada, patológica? Tenho perfil para todas estas "anormalidades" todas e muitas mais. Escrevo-o, sem preconceitos, sobretudo porque estou convencida que o mundo pertence aos corajosos, aos assumidos. Aqui, assumo a minha fraqueza, a minha sensibilidade, talvez em dose elevada. Mas a todos prometo uma coisa: eu vou descobrir a minha missão terrena e atingir a felicidade.

Obrigada aos que têm a paciência de me lerem. Serão esses os únicos que se importam comigo, ou é preciso as pessoas gostarem de ler para me lerem?

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