sábado, 3 de outubro de 2009

Crescimento

A criança que fui está a precisar de crescer. Todos os episódios da minha infância aqui descritos serviram de alguma maneira para me libertar das saudades desse tempo. De um tempo que, ainda há duas semanas, disse que tinha sido o mais feliz da minha vida. Apesar de todas as privações por que passei e de não me recordar de gargalhar e de rir, eu era feliz, porque me via assim. Tinha o principal: a presença e o carinho da minha família, sobretudo da minha mãe. Embora a minha infância tenha ainda muito para esmiuçar, a criança que fui parece estar a querer crescer. Por vezes, esqueço-me da idade que tenho. E agora, digo-vos um segredo: às vezes apetece-me comprar o que não tive na minha infância, como se a minha criança fosse carente e ainda não estivesse satisfeita. Sei que enquanto não crescer, não conseguirei fazer plenamente felizes outras crianças.Por isso, aqui vais mais um desejo para 2009: convencer-me que já tenho 32 anos e que me devo libertar da vontade de, por vezes, olhar para um peluche enorme e lamentar a falta que me fez quando era menina. Hei-de lá chegar, embora me custe a aceitar o estado adulto.

Seguidores