quarta-feira, 4 de março de 2009

A precariedade

Amigos leitores.

Esta é a vida dos jornalistas. Andei a adiar falar da precariedade que afecta esta profissão neste espaço, mas é inevitável. A crise não chegou agora, os jornalistas (a maioria) sempre estiveram em crise, a ganhar pouco mais que o salário mínimo nacional. Então se tivermos em conta que o salário mínimo é de 450 euros e que há muito pessoal jornalista, com curso, carteira, experiência, a ganhar 500 ou 600 (como eu)a revolta surge. Ainda mais, quando existe um subistema de saúde, a caixa de previdência dos jornalistas portugueses, que há uns anos a esta parte deixou de aceitar inscrições de empresas (nunca aceitando a da minha entidade patronal) o sentimento negativo aumenta.
De realçar no texto que se segue, retirado do site do Sindicato dos Jornalistas, o que estes jornalistas representam para o país: "experiência, memória, talento e prestígio". Vale a pena ler.



Controlinveste: Trabalhadores em greve apelam a cidadãos
A greve de hoje dos trabalhadores do “Jornal de Notícias”, do “Diário de Notícias”, do “24 Horas” e de “O Jogo” está a ser complementada com a distribuição de folhetos de sensibilização aos cidadãos que passam junto às instalações do Grupo Controlinveste em Lisboa e no Porto, bem como nas artérias adjacentes.
No folheto apela-se à solidariedade dos cidadãos para com esta acção de luta e explica-se que esta não foi uma greve decidida de ânimo leve, tendo antes sido uma forma de protestar contra a decisão do Grupo Controlinveste, proprietário dos quatro jornais, de despedir 119 trabalhadores, entre jornalistas, gráficos, técnicos e outros profissionais.

Para evitar ou diminuir o número de despedimentos, os trabalhadores e os seus representantes apresentaram propostas concretas à Controlinveste, que passaram até pela diminuição dos seus salários.

Porém, nenhuma dessas sugestões foi aceite e o grupo também se escusou a apresentar medidas alternativas, o que revela que “a Controlinveste não quis realmente negociar, pois desde a primeira hora pretendeu apenas ver-se livre destes trabalhadores”.

Por esse motivo, o folheto acusa a decisão do despedimento de ser injusta, por comprometer o rendimento de mais de uma centena de famílias, desnecessária, pois havia outras formas de reduzir encargos, mantendo os postos de trabalho, e prejudicial, porque desperdiça a experiência, a memória, o talento e o prestígio de muitos trabalhadores.

Frisando que os jornalistas e outros trabalhadores não são os únicos prejudicados pela situação, o documento sublinha que este despedimento afecta a capacidade de trabalho das equipas que fazem todos os dias os quatro jornais referidos, tendo a empresa planos de publicar nos vários jornais as mesmas notícias, as mesmas reportagens e as fotografias, como forma de rentabilizar recursos.

Ora isso ameaça servir pior os interesses dos leitores e diminuir a qualidade dos títulos e da democracia, pois deixará os cidadãos sem acesso a informação verdadeiramente diversificada, impossibilitando-os de escolher e de recolher pontos de vista diferentes que os ajudem a formar a sua opinião e a tomar as suas decisões.

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