sexta-feira, 1 de junho de 2018

Se as vozes todas se calassem e não houvesse mais espaço, nem tempo, e eu regressasse ao lugar a que pertenço, ficaria de novo enrodilhada no teu seio. Que quentinho! E que saudades do ovinho onde me fui preparando, aos poucos, para esta epopeia da vida. E lá, ainda mais pequenina que um botaozinho de rosa, poderia sentir de novo a pureza da origem, a delicadeza do cordão que me ligou a ti para sempre. Estar nessa posição fetal continua a ser um porto de abrigo, uma reconciliação com a minha raíz, com a minha criança, sempre inacabada e tão imperfeita. Sempre à procura de mais cores, mais luzes, da sinceridade nos olhos das pessoas, de um sonho (enfim!) realizado. Sempre à cata de um abraço, ou de um beijo. De uma flor. À espera de me encontrar, de me identificar, de fazer de um conhecido um amigo. À procura de um mundo mais à minha imagem e não um lugar onde me sinta uma visitante, uma estranha em passeio em pleno verão. Regresso à origem para me descobrir, me conhecer, para estar cada vez mais inteira, ser cada vez mais eu.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

O meu pai faz 80 anos hoje. Oitenta anos. Hoje. O meu coração bate mais forte quando escrevo isto, penso nisto, quando reflito no tempo que foi passando. O meu pai faz anos hoje. 80 anos. Hoje. Quer dizer, mais logo, quando estivermos juntos. Os anos não se fazem quando chega a hora do nascimento. Na nossa casa, os anos sempre se fizeram na hora de cortar o bolo. Na hora em que o som da tua carrinha surgia à distância e estacionavas na nossa garagem. O meu coração saltava porque vinhas à hora do lanche comemorar o meu aniversário... E havia bolo de coco, feito pelas manas. A mãe também estava. Era tão bom, tão forte. Eu era tão feliz, vivia uma felicidade irracional, que nunca mais fui capaz de sentir na sua plenitude. Eu deixei de estar presente nos serões da nossa casa em Vila Nova de Tazem, depois que fui para Coimbra estudar, mas eles ainda estão tão presentes em mim. Dentro de mim. Sempre. “Foi aqui que te criaste”, dizias tu, às vezes, quando eu voltava para o meu lugar naquele cadeirão. Tantas crianças que aquele sofá viu crescer, mas para mim será sempre o cadeirão onde eu fui ganhando corpo, contigo do lado esquerdo a ver televisão e a mãe, do lado direito, a fazer renda, com as pernas estendidas sobre a cadeira de pano. As rendas não tiveram continuidade depois que ela entrou no mundo espiritual, e também muito parou na tua vida. E na minha. Na de todos nós. Nada voltou a ser como antes, nem tu, nem eu. Já passaram 18 anos e eu nem dei conta. Estiveste mais só do que eu queria e eu estive mais só do que aquilo que tu querias. E não conseguimos preencher o vazio com a companhia um do outro. Por incapacidade, por sermos terrivelmente iguais, por não conseguirmos falar de vivências, muito menos de sentimentos. Nas pessoas que nos tornámos depois da existência dela, realço o teu sorriso, a tua gargalhada, o teu sentido de humor, a resposta pronta, inteligente. Creio que nunca terias conseguido mostrar essas tuas capacidades se a mãe estivesse cá. Às vezes a vida é assim. Sempre a dar-nos boas oportunidades. Tiveste todo este tempo ao teu dispor para te revelares, nos defeitos e nas virtudes. És menos para a ação e mais para a emoção, para a liberdade. E eu sou como tu. E só quem nos conhece, sabe o que isto quer dizer. E fazes 80 anos, hoje, quando cortarmos o bolo.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Presépios originais

Se fosse adulta há 34 anos atrás...decerto que gostaria imenso do presépio do Natal de Vila Nova de Tazem, naquele mítico ano de 1977, aquele em que nasci. Ora vejamos:

- "Ó mãe, que beleza é o Menino Jesus do presépio vivo que está à frente da Igreja. Tão gordinho, rechonchudo, pena não ter uma máquina fotográfica para tirar uma fotografia", contava a Emília à mãe, enquanto preparavam ambas o almoço.
- "já sei o que queres filha. Queres que vá ver o menino. Está bem, quando formos visitar a tia passamos por lá...."

A Emília ficou satisfeita.

Conforme combinado, após o almoço, foram ver a criança. Estavam a admirar o menino, a comentar a maneira sossegada como se comportava, quando o insólito aconteceu, deixando as duas surpresas. Uma mulher, já com os seus quarenta e tal anos, foi mexer nas palhinhas, sem pedir autorização, tirou o menino e espreitou-lhe a fralda.

- "Olha deve ser a mãe do Menino Jesus", comentou a Emília.
- "Pois deve ser...". "Este menino tem de ter uma mãe sem ser a Virgem Maria, não achas Emília?", tentou consciencializar a mãe.
- "Mas deve estar muito orgulhosa do seu filho ser o Jesus do presépio", comentou ainda a Emília.

Emília e a mãe aproximaram-se daquela que consideraram ser a mãe da criança. Esta trabalhava sem demora para mudar a fralda ao bebé, para o repor no seu papel sério e responsável de Menino Jesus.
Aproximaram-se cheias de ternura para ver melhor os refegos. E, aguardando por uma minhoquinha a despontar entre as pernas, Emília e a mãe confrontaram-se com uma dura realidade.

- "Mas é uma menina!!!!! O Menino Jesus é uma Menina Jesus! Como pode ser, enganou-nos a todos a miúda!", - disse a Emília, surpreendida.
Enquanto isso, a mãe de Emília ria e a mãe da Menina Jesus sorria, num misto de satisfação e embaraço.


Esta é uma ficção daquilo que poderia ter acontecido quando eu representei pela primeira vez. Depois deste ensaio (do qual guardo saudosas recordações) fiz de Maria Madalena para um teatro da escola e ainda de anjo, já não me lembro para que peça. Onde é que isto vai parar? Hum. Mau presságio...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Vale a pena

A mensagem principal que retirei de um dos últimos livros que li foi que a escrita de livros não tem outra recompensa que não a alegria e o prazer de o escrever. Outros incentivos ligados à retirada de dividendos ou ao reconhecimento social não passam de quimeras, podem surgir, mas a muito longo prazo. O livro a que me refiro chama-se "Cartas a um jovem romancista" de Llosa, que me foi sugerido por uma das pessoas que se tornou seguidora deste blogue.
Portanto, obrigada Cláudia.

Assim, parece ter-se dado um processo de libertação, muito difícil de explicar, mas que se pode resumir numa ação, que espero se venha a exprimir muitas e muitas vezes: escrever, escrever, escrever.
O querer escrever de forma inédita tem-me, reconheço-o agora, impedido de escrever livremente. O medo de errar e a ideia do perfecionismo têm-me emperrado os dedos e a mente. Por isso, mesmo que não seja bonito, ou inovador, aqui vai disto. Fica a intenção, a vontade, a necessidade de viver um sonho antigo e de o tornar realidade.
Sim, sonho publicar um livro. E admiro muito as pessoas que realizam os seus sonhos! E quero admirar-me, ha ha ha!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A praça para onde vim parar

Trabalho no mesmo jornal há quase onze anos. Neste tempo, a minha secretária mudou de lugar uma vez e já tive um computador novo, maravilhoso, de facto.
De resto, tudo se manteve, até a paisagem do lado de fora da janela. Árvores, cujas folhas vão mudando de tonalidade à medida que os meses passam, estão intactas. Vêem-se as janelas superiores dos prédios mesmo em frente e ainda um poste de electricidade. Não vejo, mas imagino – porque sei que lá está – uma praça velha em calçada, uma Igreja de onde sai em procissão Nossa Senhora da Piedade, a padroeira do concelho onde estou, cujo calendário de festas determina viagens de emigrantes. Não raro se veem os olhos húmidos de quem vem e olha o andor magistral da mãe com o filho ao colo, já morto. Tudo naquele andor, a dor da perda, a dor da saudade, a dor maternal de quem acaba de perder o seu filho muito amado.
Da rua, ouve-se o ruído dos carros, os telefonemas do sector de desenvolvimento social da Câmara Municipal, os carimbos dos correios e o folhear dos livros à venda. O choro impaciente das crianças à espera de vez, as máquinas de café a deitar líquido castanho para manter abertos os olhos dos trabalhadores, a conversa dos taxistas à espera do cliente que tarda, a inquietude do ourives que não vende, o pequeno mercado - com a vendedora a fazer renda - que às vezes abre outras não, o talho onde nunca entrei. Apesar de tantos anos volvidos, ainda se sente o contentamento do homem da leitaria que certa vez viu a sorte. Vinha alegre e deu-lhe para a mão alguns milhares de contos do Totoloto.
Os cheiros às vezes são de terra molhada, outros da secura que se levanta do chão, dos ácidos expelidos da casa-de-banho pública onde fui uma vez e me arrependi. Bom, bom era o alo dos velhos petiscos que se fritavam no óleo usado do “Ri-Te, Ri-Te”. Local sujo, mal frequentado, mas onde comia por 400 escudos arroz, ovo estrelado, costeleta, nos meus primeiros anos de Trevim. A casa abriu nas mãos de gente que nem uma cerveja sabia tirar e nos primeiros dias, claro, eram a troça dos clientes. Como só respondiam, “Ri-te, Ri-te”, lá ficou o nome. Hoje saiu toda a imundice e lá está uma pastelaria, com pão quente, sopas, hambúrgueres, jornais, decoração. É fina, mas não consegue ser tão chic como a casa de chá em frente. Uma verdadeira sala de visitas, onde se vendem infusões raras e se comem doces caseiros, quishes e outras novidades que esta praça nunca poderia imaginar que um dia iria presenciar. Sim, antes de ser o que hoje é, aquele local era impróprio para uma senhora entrar. Não chegava a ser taberna, era muito menos que isso.
Em relação ao tacto, só referencio aqueles cinco euros que pude um dia apanhar do chão e que bem me souberam nas mãos. Ainda olhei para os lados, a ver se alguém me vigiava, mas não. Podia fugir à vontade com a minha pequena fortuna, com a qual ainda paguei uns cafés aos colegas. Um acto raro, mas, enfim, era dia de festa!
Por isso, dos cinco sentidos é o paladar que mais se refastela nesta praça para onde vim parar. Graças ao investimento alheio, se não, creio que pouco se salvava. Talvez a Igreja, que é lugar santo.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O pequeno maestro

Era a hora do conto em casa da avó Maria. Sempre que a Joana, a Rita e a Raquel passavam as férias na casa de campo, na companhia da avó, o pôr-do-sol era a altura escolhida para ouvir as mil e uma histórias que ela sabia de cor.
Depois das três meninas brincarem à apanhada entre o arvoredo da quinta, prepararam-se sentadinhas no balcão das escadas de pedra da casa para ouvirem a voz melodiosa da mulher de 70 anos, que a vida enrugou, mas que dotou também de ternura e paciência. Agora na reforma de uma vida na cidade, não lhe faltava tempo para dedicar aos netos a atenção que não teve a oportunidade de dar aos filhos.
A voz naquele dia estava de tal forma melodiosa e suave (provavelmente açucarada com o delicioso doce de abóbora que acabara de fazer) que as crianças até comentaram que a avó parecia o violino que ouviram durante a tarde e que tinham combinado, entre as três, aventurarem-se, no dia seguinte, a procurar os dedos que tocavam semelhante música.
A avó aproveitou a deixa e começou a contar uma história de um violino, de um violino gigante e mágico.
Os olhitos das três crianças arregalaram-se ao imaginar um violino muito maior do que a sua estatura e a pesar três vezes mais. Mas o que mais as impressionou foi o facto de ser um violino… falador.
"Pedro tinha quatro anos quando recebeu o violino para brincar com ele. Era em tudo semelhante aos outros, só era muito maior. A criança ficou feliz por ter algo diferente para mostrar aos amigos e também porque, assim, poderia aprender música, um sonho que acalentava desde que nascera", contava Maria.
O quarto do Pedro ficou ainda mais enriquecido. O espaço já estava enfeitado com bonecos de pelúcia, jogos para o computador, aparelhagem, televisão, tudo. Agora, no entanto, tinha algo muito mais especial do que o resto. Tinha um violino gigante.
O tio Osório, que lho oferecera, só conseguiu encontrar tal raridade em Inglaterra, o que para Pedro ainda era mais emocionante. Os pais deste não acharam grande utilidade àquele grande objecto, mas assentiram mesmo assim em colocá-lo no quarto do pequeno.
"Certa noite, Pedro dormia tranquilamente quando começou a ouvir uma voz a chamar por ele. Quanto mais ouvia, mais se embalava no sono e sonhava com paisagens rurais, com jardins, borboletas, flores campestres, passarinhos, um cenário onde gostaria mais de viver do que na cidade que não lhe possibilitava andar ao ar livre".
Entretanto, o violino não só ganha voz, como abre os braços e estende as pernas. Sem acordar Pedro, pega nele ao colo, coloca-o nas suas costas e lança-se pela janela a voar. Foi só com o vento a bater-lhe no rosto que Pedro acordou do sonho bom que estava a ter. Atrapalhou-se de tal forma quando reparou que estava a sobrevoar o céu que se agarrou às cordas do violino para não cair sozinho na noite escura.
"Estás bem?", perguntou o violino. Pedro não conseguia falar, só olhava fascinado para tudo. Entrou no Carnegie Hall, em Nova Iorque, no Royal Albert Hall, em Inglaterra, no Opera, em Paris, no Teatro Nacional de São Carlos, em Portugal e em tantos outros locais de elite, em menos de vinte minutos.
A última imagem que o violino lhe mostrou foi a de um maestro com duas batutas a orientar uma orquestra de passarinhos. "Este és tu no futuro. Vais ser um maestro de grandes óperas, vais encher as salas que viste esta noite comigo, mas o teu passatempo favorito vai ser pegar nas tuas batutas e andares pelo campo, perto das coisas simples da vida a compor as tuas músicas".
A viagem tinha terminado. Pedro e o violino regressaram ao quarto e a criança acordou de manhã cheia de energia. Tinha a certeza que seria músico um dia...
"Avó, achas que é ele que toca o violino que nós ouvimos hoje à tarde", perguntou a Joana, entusiasmada.
"Quem sabe, querida", respondeu Maria, com um sorrisinho maroto. Ela sabia que não podia ser, mas ficava feliz por as suas netas estarem a viver uma infância cheia de fantasias.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

AUSCHWITZ, local esquecido pelo sol


"Camaratas" em Birkenau. Em cada camada do beliche tinham de caber 10 pessoas


Latrinas em Auschwitz-Birkenau. A sua limpeza era considerada um trabalho leve, porque os alemães mantinham-se longe do cheiro e das possíveis doenças


AUSCHWITZ, local esquecido pelo sol

Auschwitz não tem alma. Só lama, frio e imagens grotescas para quem conhece as palavras liberdade e conforto. No sul da Polónia, o local que foi durante a II Guerra Mundial (1939-1944) sítio de tortura, fome e morte de judeus, ciganos, homossexuais, presos de guerra, intelectuais polacos, tornou-se num museu para onde rumam milhares de visitantes por dia. Organizam-se os grupos, os guias (o museu tem mais de 200, entre eles um português), preparam-se os auscultadores, o rádio de comunicação e começam as nossas três horas de visita, no dia 29 de setembro.
Os rostos ganham perplexidade à medida que a realidade das pessoas deportadas para aquele campo de concentração começa a ser explicada e as imagens entram pelos nossos olhos adentro. Foram transportados para o campo judeus vindos da Hungria, França, Holanda, Grécia, Eslováquia, Bélgica, Áustria, Alemanha, Jugoslávia, Itália, Noruega. Relatos de sobreviventes dos campos de concentração nazis contam que, à medida que os dias avançavam, os prisioneiros perdiam a noção de identidade como seres humanos. Para começar, a viagem era, no mínimo, traumatizante. Da casa, de onde eram arrancados de forma brutal e com pouco tempo para fazerem as malas, os "escolhidos" eram levados para comboios de transporte de gado. Os vagões não eram abertos, nem era distribuída água ou comida. As viagens podiam demorar horas ou vários dias. Quem sobrevivesse e entrasse no campo ficava logo despojado de toda a documentação, roupa e bagagem, passando a ser identificado apenas por um número gravado no corpo. Também lhes era rapado o cabelo. Vestiam depois umas calças e uma camisa às riscas e assim tinham de enfrentar a neve. Muitos trabalhadores eram sujeitos a trabalhos esforçados, laborando em fábricas de derivados de petróleo, armas, ou construindo outros campos (como o caso de Birkenau, a três quilómetros do campo mãe de Auschwitz). Na generalidade, todos os deportados iam perdendo o brilho dos olhos, o corpo enfraquecia pelo esforço do trabalho, pela fome, pela doença, pelos maus-tratos e também pelas lutas entre si por caldo ou mais um pouco de pão. A comida, além de ser insuficiente, era sempre do mesmo tipo e pouco calórica.
Sessenta e seis anos depois dos acontecimentos, ainda são conservadas as "provas do crime". Os edifícios contêm hoje objetos pessoais dos prisioneiros que não foram roubados nem destruídos: óculos, malas (ainda com o nome das pessoas), sapatos, próteses, alguma roupa de criança. As jóias não chegaram aos dias de hoje...Uma sala conserva ainda duas toneladas de cabelo que, segundo foi dito, era destinado a fábricas de produção de têxteis. Uma vitrine mostra tranças ainda por desfazer. Entre os blocos 10 e 11 encontra-se o "muro da morte", onde eram executados os desobedientes. O bloco 11 é difícil de visitar. Na cave foram construídas as celas para aqueles que eram predestinados à morte por asfixia, fome ou falta de luz. Na cela por morte de fome, está a vela que o papa João Paulo II, de origem polaca, ofereceu em memória do padre católico Maximillian Kolbe que foi prisioneiro em Auschwitz, voluntariando-se para morrer em lugar de outro prisioneiro. O padre foi canonizado pelo papa em 1982, na presença de Franciszek Gajowniczek, o homem cujo lugar o padre tomou e que sobreviveu aos horrores do campo.
Em Auschwitz, a câmara de gás e o crematório são os últimos lugares a visitar. Pede-se silêncio. A câmara de gás parece demasiado pequena para ter albergado centenas de pessoas que morreram ao mesmo tempo por ação do gás Zyklon B. Um espaço onde se concentraram todas as expetativas em termos de visita e, naquele momento, não há tempo para definir os sentimentos. Confundem-se. A visita é rápida, saímos. Mas as imagens e a incompreensão hão-de ficar, bem como uma maior valorização da vida.

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